A Música e o Cinema - Primeira Parte
Quantos musicais você conhece? Provavelmente dá para contar nos dedos da mão, certo? E mais provavelmente ainda dá pra contar nos dedos de uma mão só. São pouco conhecidos, pouco divulgados, mas isso apenas nessa nossa 'era moderna'. Há alguns anos atrás, o gênero musical cinematográfico era um dos maiores filões dos estúdios.
O maior expoente de uma fase áurea desse tipo de filme, nas primeiras décadas do cinema a cores, é Cantando na Chuva, com Gene Kelly. A cena em que ele canta e dança com seu guarda-chuvas a música-tema do filme está na História do cinema. Mas você, caro leitor, já parou para pensar que Singin' in The Rain é um marco na história da música? Vendeu horrores, e até hoje é lembrada. Mas não como música, isoladamente. Mas sim pela seqüencia acoplada a cena do filme.
Mais à frente, nos anos 70, temos, entre outros famosos musicais, as famosas 'óperas-rock', e o maior representante desse gênero na sétima arte foi Tommy. Dirigido por Ken Russell, o filme é baseado na música do mesmo nome, do grupo The Who. É uma época de grandes transformações no imaginário cultural no mundo todo, e tanto na tela grande quanto no toca-discos conseguiram captar a essência de toda aquela efervecência à flor da pele. Era a época do 'glam', do ousado, como David Bowie, Queen, entre outros. No cinema, filmes como o já citado Tommy, Woodstock - O Filme, e o maior clássico da época: Os Embalos de Sábado a Noite, que pertence a metade final da década, e que trouxe o aure à era disco e a (praticamente) descoberta de Bee Gees, Gloria Gaynor, ABBA e outros.
Nos anos 80, os filmes musicais saíram de cena, praticamente deixando de ser produzidos. Vieram então as trilhas sonoras, dando ênfase a uma determinada canção de um filme. Bons exemplos estão em Ghostbusters, de Ray Parker Jr., trilha do filme Os Caça-Fantasmas; Glory of Love, do grupo Chicago, tema de Karatê Kid; La Bamba, de Ritchie Valens, do filme La Bamba... entre tantos outros, isso sem contar as trilhas propriamente ditas, de maestros como John Williams, Jerry Goldsmith, e o aparecimento de novos nomes como os de Danny Elfman, Randy Newman, James Newton Howard, etc.
Os anos 90 continuaram no mesmo caminho, tendo em trilhas como a de Ghost - Do Outro Lado da Vida (Unchained Melody, canção que se tornou imortal com The Righteous Brothers), Titanic (My Heart Will Go On, de Céline Dion), O Sonho Não Acabou (That Thing You Do, do The Wonders), e nas composições orquestradas em filmes como Amistad, Forrest Gump, entre outros, o maior expoente musical dentro di cinema. Isso até a chegada de Moulin Rouge - Amor em Vermelho, filme dirigido com maestria por Baz Luhrmann com Nicole Kidman e Ewan McGregor no elenco. Esse filme trouxe de volta, por um breve momento, uma certa fase nostálgica quanto aos musicais, tendo músicas memoráveis como A Fool to Believe, Come What May, entre outros. NEssa fase, o auge veio com o musical Chicago, que em 2002 arrebatou 5 prêmios Oscar, incluindo o de Melhor Filme. Dirigido por Rob Marshall e tendo como protagonistas Renèe Zellwegger, Catheine Zeta-Jones, Richard Gere, a canção-tema I Move On é considerada um marco desse estilo, alçando o filme para o status de obra indispensável, e o CD com sua trilha sendo obrigatório para qualquer amante de música.
Hoje em dia, o gênero novamente saiu de moda, dando-se mais importância às músicas que compõem a trilha sonora. Mas o mais importante é constatar que a magia do cinema não funciona sem uma trilha adequada, que nos transporte para a emoção das cenas, e para que nós possamos nos divertir e nos deleitar com as jóias que sempre aparecem desse gênero.
Os links são do Last Fm, medidor de músicas online.
E um pequeno aviso: Marco, o post pra você está sendo escrito. A gripe não me permitiu trabalhar no texto pelo resto da semana, mas o próximo é certeza!
Até mais a todos.
Ouvindo "Preciso Dizer que Te Amo", de Cazuza e Bebel Gilberto.
Escrito por Luiz Henrique Oliveira às 21h12
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